domingo, 17 de maio de 2009

As Confissões Belga (1561) e de Westminster (1646) e a Auroridade das Escrituras

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1.1 - Confissão Belga (1561)

1.1.1 - Histórico Sobre a Confissão Belga

Esta é a mais antiga das confissões, e é chamada de Belga por se referir a todos os Países Baixos, tanto do norte quanto do sul, atualmente divididos em Holanda e Bélgica. A Confissão Belga também é chamada de Confissão Walloon e Confissão da Holanda. [1].

O principal autor foi Guido de Brés (1522-1567), um pastor itinerante reformado, que a escreveu em Francês para os crentes reformados perseguidos nos Paises Baixos por Felipe II da Espanha. A confissão foi escrita tendo como base a Confissão Gaulesa, uma Confissão reformada, que por sua vez se baseou nos escritos de Calvino. Guido Brés tornou-se um mártir entre os milhares que morreram por causa de sua fé. Mas a confissão que ele ajudou redigir continua testemunhando sobre as verdades das Escrituras. [2]

1.2 – A confissão de fé Belga Defende a Autoridade e a Suficiência das Escrituras. No artigo sete, dos capítulos que fala sobre as Escrituras ela diz:

“Cremos que as Sagradas Escrituras contêm perfeitamente a vontade de Deus e tudo o que o homem deve crer para ser salvo é suficientemente ensinado nelas. Nelas, Deus descreveu por extenso todo o modo de servi-lo. Por isso, não é licito aos homens, mesmo que fossem apóstolos ou um anjo vindo do céu conforme diz o apóstolo Paulo, ensinar outra doutrina, senão aquela das Sagradas Escrituras. É proibido acrescentar algo à Palavra de Deus ou tirar algo dela. Desse modo, fica claramente demonstrado que a sua doutrina é perfeitamente e, em todos os sentidos completa. Não se pode equiparar qualquer escrito de homens, por mais santos que eles tenham sido, às Escrituras divinas. Nem se pode considerar os costumes, a popularidade, a antiguidade, a sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos ou resoluções como sendo de igual valor que a verdade de Deus, pois a verdade está acima de tudo, e todos os homens são mentirosos, e mais vaidosos do que a própria vaidade. Portanto, rejeitamos de todo o coração, tudo que não está de acordo com essa regra infalível, conforme os apóstolos nos ensinaram: “Provai os espíritos se procedem de Deus”. Do mesmo modo, “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa.” [3]

Nossa analise consiste em concorda com a Confissão Belga naquilo que ela ressalta sobre as Escrituras. “Cremos que as Sagradas Escrituras são perfeitamente a vontade de Deus e tudo o que o homem deve crer para ser salvo é suficientemente ensinado nelas”.

Tudo que homem precisa para viver de maneira que agrada a Deus e conseqüentemente viver completamente feliz, ele pode encontrar nas Escrituras Sagradas.

Creio também que podemos ampliar a idéia de salvação a qual a Confissão se refere “tudo o que o homem deve crer para ser salvo” a salvação nas Escrituras é entendida de forma muito mais abrangente do que simplesmente uma ação de Deus que envolve apenas a parte espiritual do homem, mas ela engloba o homem na sua totalidade, envolvendo a sua relação com Deus, com o seu próximo e com a natureza. A salvação muda o caráter e o coração do homem.

Não poderíamos deixar de analisar a Confissão quando ela diz: “Desse modo, fica claramente demonstrado que a sua doutrina é perfeitamente e, em todos os sentidos completa”. A qual fala da plenitude da Escrituras, ou seja, ela é abrangente em seu conteúdo. O homem não precisa agregar mais nada ao seu conteúdo.

Tudo que Deus achou ser necessário revelar sobre a Sua Pessoa e sobre o homem e sua necessidade, ele o fez. A Escritura é suficiente para que o homem restabeleça o seu relacionamento com o criador, com sigo mesmo, porque à medida que ele conhece a Deus se conhecerá melhor e também como seu próximo, pois o homem só poderá amar corretamente ao próximo se ele conhecer plenamente o amor de Deus. Dessa forma as Escrituras são completas e suficientes para suprir ou direcionar o homem a um melhor caminho onde ele possa ter todas as suas necessidades supridas.

Por ultimo, ressaltamos a afirmação de que “{...} rejeitamos de todo o coração, tudo que não está de acordo com essa regra infalível, {...}”, é obvio que esta tese tem muito a ver com o nosso trabalho, pois o nosso empenho em mostrar que as psicoterapias têm pressupostos contrários às verdades reveladas nas Escrituras. As psicologias são inadequadas para ajudar aos homens solucionar as suas crises de ordem emocional e espiritual.

1.2 - Confissão de Fé de Westminster (1646)

1.2.1 - Histórico Sobre a Confissão de Westminster

Outra Confissão de fé que fala sobre a Autoridade das Escrituras é a Confissão de Fé de Westminster, um dos documentos mais influentes do período pós- reforma da Igreja Cristã, o qual foi produzido pelos teólogos de Westminster. [4]

A Assembléia de Westminster se reuniu convocada pelo Parlamento da Inglaterra em 12 de Junho de 1643, Sob a presidência do Dr. William Twisse, em oposição aos desejos expressos do rei Carlos I. [5]

O propósito inicial da Assembléia era revisar os trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra, e reestruturar sua forma de governo. Mas, após quase vários anos de reunião, a Assembléia produziu, entre outros documentos, a Confissão de Fé. [6] E por unanimidade, os envolvidos na sua confecção optaram pela doutrina Calvinista, e rejeitaram o arminianismo, o catolicismo romano e o sectarismo. [7]

A Confissão ficou pronta em 1646, e representa o ponto alto no desenvolvimento da teologia, e sua dinâmica espiritual está fortemente ligada ao pacto da Aliança. [8]

8.2.2. – A Confissão de Westminster Defende a Autoridade e a Suficiência das Escrituras

Ao falar sobre as Escrituras esta Confissão de Fé no seu capitulo primeiro declara que elas são suficientes para suprir as carências da vida do homem. Segundo a Confissão, aquilo que o homem precisa para viver ou é completamente claro nas escrituras, ou pode ser tranqüilamente deduzido delas. [9]

Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidência ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. A Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.” [10]

1.2.3 - Comentando a Confissão

O texto da confissão de Westminster só vem reforça o que já havíamos dito no comentário anterior quando analisamos a Confissão Belga, no qual afirmamos que tudo que o homem precisa ou está revelado nas Escrituras ou pode ser entendido a partir das Escrituras: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela.”

Sendo assim, não precisamos que pessoas desprovidas do conhecimento de Deus, de Sua obra, e de Sua vontade revelada para vida dos homens, venham nos dizer, como devemos viver e o que devemos fazer para sermos felizes. O que os homens precisam é conhecer as Escrituras, para aplicar as Suas verdades em todas as situações que envolvem a sua vida cotidiana. Os homens não precisam das psicoterapias para entronizar o seu ego, eles precisam é conhecer a verdade de Deus.

Outra questão que não poderíamos deixar de observar no comentário feito pela Confissão de fé, é que todas as ações dos homens devem ser fundamentadas nas Escrituras. “{...} há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.” É interessante observar que o comentário a principio parece que concede ao homem liberdade de tomar decisões independentes das Escrituras “as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã”, contudo, a Confissão termina dizendo que estas observações devem ser feitas “segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas”.

A conclusão que chegamos ao analisar as duas confissões, tanto a Confissão Belga como a Confissão de Westminster é que todas as coisas que o homem precisa para ser pleno e viver em profunda felicidade, através de uma relação de santidade com Deus, com o seu próximo e com a natureza. Ou está claramente expresso nas Escrituras ou podem ser logicamente deduzida dela. Em qualquer caminho que ele deseje seguir as Escrituras precisam ser o padrão de direção para o mesmo.

Mesmo com o advento da modernidade, a Bíblia continua sendo suficiente para lidar com as crises que envolvem o coração dos homens. O homem não precisa acrescentar nada à Escrituras, elas são poderosas para solucionar os conflitos e as confusões mentais, emocionais, espirituais.


[1] Anglada, Paulo. Sola Scriptura. São Paulo - SP: Os Puritanos, 1998. p. 185.

[2] Ferguson, Sinclair B. Harmonia das Confissões Reformadas. São Paulo - SP: Cultura Cristã, 2007. p. 9.

[3] Sinclair B. Ferguson, Harmonia das Confissões Reformadas, p. 14-16 (grifo meu).

[4] Sinclair B. Ferguson, Harmonia das Confissões Reformadas, p. 9.

[5] Marra, Cláudio A. Batista (ed.). A Confissão de Fé de Westminster. 4. ed. São Paulo – SP: Cultura Cristã, 1999. p.1.

[6] Ibid., p.1.

[7] Paulo Anglada, Sola Scriptura, p. 187.

[8] Ibid., p. 187.

[9] Sinclair B. Ferguson, Harmonia das Confissões Reformadas, p. 9.

[10] Cláudio A. Batista Marra (ed.), A Confissão de Fé de Westminster, p. 3.

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